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Como sair das dívidas de cartão de crédito: guia em 5 passos

· 4 min de leitura

O cartão de crédito é prático até ao dia em que o extrato chega e só consegues pagar o mínimo. A partir daí, a dívida desce muito devagar e os juros acumulam-se. Sair desta situação não depende de sorte nem de um aumento inesperado. Depende de uma ordem de passos e de alguma disciplina.

Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento financeiro ou jurídico. As condições variam de contrato para contrato.

1. Vê o valor real da dívida

Soma tudo: o saldo em dívida de cada cartão, o pagamento mínimo e o juro que cada um cobra (a TAEG). Escreve numa folha ou numa nota do telemóvel. É normal evitar olhar para este número, mas é difícil resolver o que não está medido.

Se tens mais do que um cartão, ordena-os do mais caro para o mais barato. É essa ordem que vai definir por onde começas.

2. Para de usar os cartões, sem os cortar todos

Cada compra nova anula parte do esforço que estás a fazer. Guarda os cartões numa gaveta ou remove-os da carteira digital, e passa para outro meio de pagamento as subscrições que estejam no cartão. Não precisas de os cancelar todos: nesta fase, a regra é simplesmente não acrescentar dívida.

Se usas o cartão por causa de benefícios ou cashback, só compensa se pagares o total do extrato todos os meses. Caso contrário, o que ganhas em benefícios é quase sempre menor do que o que pagas em juros.

3. Paga o mínimo em todos e mais no cartão mais caro

Paga sempre pelo menos o mínimo em todos os cartões, porque falhar um pagamento traz custos e fica registado. O que conseguires pagar a mais vai para o cartão com o juro mais alto, mesmo que sejam 20 ou 30 euros. Quando esse ficar a zero, passa esse valor para o seguinte.

Se receberes subsídio de férias ou de Natal, um reembolso ou um trabalho extra, usa uma parte para abater ao cartão mais caro.

4. Liberta dinheiro no orçamento

Para pagares mais do que o mínimo, precisas de espaço no mês:

  • Corta o que não usas: subscrições esquecidas, tarifários antigos, entregas frequentes.
  • Renegocia os contratos fixos uma vez por ano: telecomunicações, seguros e energia.
  • Define um valor mensal só para a dívida e trata-o como uma despesa obrigatória, tal como a renda.

Não esperes pelo mês perfeito para começar. Começa com o valor que consegues manter.

5. Se não consegues avançar, procura alternativas

Se os juros consomem quase tudo o que pagas, há outros caminhos:

  • Transferir o saldo para um cartão com condições promocionais. Confirma as comissões e a data em que o juro normal volta.
  • Consolidar a dívida num crédito pessoal com taxa mais baixa. Só ajuda se não voltares a usar o cartão.
  • Falar com o banco sobre um plano de pagamento, de preferência antes de falhares uma prestação.

Compara sempre o custo total, não só a prestação mensal: pagar menos por mês durante mais anos pode sair muito mais caro.

Se já estás em incumprimento, em Portugal os bancos têm de seguir um procedimento de negociação, o PERSI. O incumprimento é também comunicado à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Em situações de sobre-endividamento, procura uma entidade de apoio ao consumidor endividado. Pedir ajuda cedo dá-te mais opções.

Como evitar voltar ao mesmo sítio

Depois de limpares o cartão, três hábitos fazem a diferença: pagar o total do extrato todos os meses, ter uma reserva de emergência para imprevistos e saber quanto podes gastar antes de gastar.

O FinanceFlow pode ajudar nesta parte. No plano gratuito, com até 50 transações por mês, registas receitas e despesas e vês para onde vai o dinheiro. O plano Pro acrescenta limites com alerta e explicações da IA. O Premium acrescenta previsões para os próximos 3 meses e uma proposta de orçamento feita pela IA. A app não liga às contas bancárias nem paga dívidas por ti: serve para veres quanto sobra para as abater.

O plano em resumo

  1. Soma tudo e ordena as dívidas da mais cara para a mais barata.
  2. Para de fazer compras com o cartão até teres o saldo a zero.
  3. Paga o mínimo em todos e o que puderes a mais no cartão mais caro.
  4. Liberta espaço no orçamento e trata o pagamento da dívida como despesa fixa.
  5. Se os juros te ultrapassarem, procura alternativas e compara sempre o custo total.

Sair do vermelho é uma sequência de meses certos. Começa hoje pelo primeiro passo: soma o valor real da dívida.

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